quinta-feira, 11 de setembro de 2014

FUTURO

                       Um cheiro um sabor

                     O tempo que não nega seu calor

                     A mão que se entrega a amizade empresta
                     A voz que consola quando nos falta a força e nada mais resta
                     A vontade que nos levanta e arrebata do fundo do poço
                     A consciência tranquila que alerta e liberta aquele nó no pescoço
                     Percepção da fraqueza é noção que sem ti nada poço
                     Sorrateiro futuro fruto presenteado a nós por nós mesmos
                     Se cultivado com mestria brilha e nos salvamos
                     Se desdenhado nos maltrata e nossa cova cavamos
                     Alerta a cultivar esperança
                    Seja tu a plantar uma boa lembrança
                    Ó destino infeliz 
                    Ó certeza que não escapa o que diz
                    Este verso fui eu que fiz
                    Desprendi o verbo e rimei
                    Para abrir teus olhos clamei
                    Te chamei amei e acalmei
                    É tua a escolha usar a página do dia
                    Agir feliz e escrever uma doce melodia
                   Cada momento um momento na vida
                   Fazer a própria sorte acontecer e achar a saída

quinta-feira, 31 de julho de 2014

O último cidadão do Mundo/The last citizen of the world







                                 O último cidadão do Mundo

Quem faz Guerra sabe o que quer?
Quem faz Guerra sabe o que mata?
Quem mata a sua malta a si próprio mata...
O que buscas?
O que desejas?
Será que tem cura, essa sede insaciável de sangue
O que vem depois?
Queres o Mundo só para ti, ou nem percebes que aos poucos estas a extingui-lo
Quem faz Guerra não tem amor-próprio
Quem faz Guerra não conhece o valor da terra
O que buscas?
Será isso o que desejas?
O que vem depois?
Um mundo de silêncio, despovoado envolvido numa nuvem de pólvora
Restarás só e tão-somente tu, guerrilheiro que tudo mata
Até sejas o  último cidadão do Mundo


---------------------------------------------------//------------------------------------------------

The last Citizen of the World

Who Makes War knows what he wants?
Who Makes War knows what he kills?
Who kills his guys kills himself...
What you’re looking for?
What do you want?
Is there a cure for such voracious bloodlust?
What next?
Would the world just for you, can’t you see how you make it crumble
Who makes War has no pride
Who makes war don’t know the homeland value
What you’re looking for?
Is this what you want?
What next?
A world of silence, empty bound in a cloud of gunpowder
You’ll be lonely and solely, for killing everyone and everything

Then you'll be the last citizen of the World

quinta-feira, 5 de junho de 2014

“INDIFERENÇA”



Uma vida surge
Uma vida imerge
Quem se importa, é só mais um
Ou tão-somente, menos um
Será a nossa mente ou o coração que já não sente
Só dói se mexe com a gente da gente
Triste não é interromper o percurso
Triste é não deixar seguir o normal curso
Nem ao irmão nem ao vizinho, o meu abraço
A ninguém estendo a mão, confio no meu braço
Nessas voltas que a vida dá, quem sabe a sorte nos falte
E na angustia tempestuosas o azar nos assalte
Provar do nosso próprio veneno
Revelar teu pecado e saber que é a mim que condeno
Lembrar tudo que ao mundo negamos
Lembrar o que poupamos
Hoje insanos de nada nos serve a riqueza
Estamos todos sujeitos a bailar com a doença e a pobreza
O tempo mestre, oportuno e matreiro
O futuro urgente e sorrateiro
Quem sabe o olhar de quem vive distante da fome
Chegue mais perto da realidade que aos pouco nos consome
E olhando nos olhos me chame de irmão

Reconhecendo sua necessidade, seja o primeiro a estender a mão.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

“Hospedeira matreira”



Anda entre nós dividida entre dois mundo
Esta tão viva na morte como  viva na vida
Anda de lar em lar pilhando sorrisos
Vagueia de lugar a lugar ceifando vida
Nos visita e convida numa viagem só de ida
Dança ao som do meu e teu choro
Se banha no rio do teu pranto
Te consola saber que não é desta a tua vez ainda
Porquê me vestes de luto ó morte
Sou eu que edifico o destino e a sorte
Te apressas a levar-nos a galope
Não medes idade não distingues género
Não vês cor nem raça só pensas em número

Insaciável abrevia a vida e eterniza a morte

sexta-feira, 9 de maio de 2014

“ÁFRICA MINHA”



A África o meu abraço
A África o meu apreço neste verso
Doou um pouco de mim a ti mãe África
Eu te pertenço tanto hoje como antes e disso já mais esqueço
Cresci e evolui contigo meu continente atinente
Sou da tua cor, tenho o teu sabor e preservo os traços de quando me geraste
Tu não envelheces, amadureces
Acolhes a cada dia no calor tropical as gentes que vêm mergulhar nas tuas  savanas doces
De braços abertos recebes o que explora e o que te desflora
És bela por dentro e por fara
África, tu permaneces virgem
És a origem
Amo-te ó mátria, sei que me ouves, sentes e vês
Vivo em ti como tu em mim veves
Tu és o leito da história e da humanidade o berço
 Teu canto selvagem embala e adormece o mundo nos teus braços
Como eu um rebento com afecto
Como muitos teus filhos amados
Também te quero agraciar e agradecer

Te lembrar o grande amor a ti dedicado sob condição única de sempre me amparar.

“MINHA COZINHA”




Na minha cozinha tem comida boa
Na minha cozinha tem pitéu feito pela minha mãezinha
Na minha cozinha tem cheiro difundido pela fumaça que se perde no tempero
Na minha cozinha tem quiçângua boa adoçada pelo bundi que relaxa e revigora
Na minha cozinha houve choro e um adeus, de repente ela já não cozinha
Na minha cozinha já não tem a minha mãezinha
Na minha cozinha hoje o fumo é quem impera
Na minha cozinha já não há quem têmpera, o sal é mais salgado
Na minha cozinha, só tem arroz frito com cenouras pretas e cebolas inteiras
Na minha cozinha o sabor já não lidera é o prato que liberta-me apenas da fome se saciar o paladar
Na minha cozinha já não tem quem cozinha
Na minha cozinha se frita e se grelha só não se distingue o sabor do cozido e do assado
Na minha cozinha já se viveu um passado dourado
Na minha cozinha já não se tem vontade
Na minha cozinha tem feijão apurado em louro com recheio de cebola inteira ou cortada ao meio
Na minha cozinha preditiva o pitéu vária
Na minha cozinha se o pitéu varia cria avaria, na pele e na barriga que não se aguenta vazia
Na minha cozinha avental se usa num prego
Na minha cozinha só se entre por lembrança dos bons tempos e gratidão do que ainda nos mantém

Na minha cozinha já não tem minha mãezinha nem aquela comidinha.

“cantarolar”



És estrela no céu e na terra por tua beleza há quem faz guerra
Se ajustas as estações do ano, teu calor me abraça nas madrugadas de inverno, teu beijo me refrigera nas tardes de verão
Me pego a contemplar discreto teu bambolear para alegria do meu ego varão
Esta cravado em ti o jeito de me seduzir, levas-me ao céu num piscar de olhos
Quem és tu?
Me despojas de presidente para tão-somente ser o teu esposo
Quem manda sou eu falo e acontece, minha lei ninguém objecta somente meu amor a ti
Mas tu não te cansas?
Sais de manhã a mesma hora que eu, trabalhas, vás e voltas e ainda me suportas
Bem cedo te levantas e os deveres do lar adiantas
Ei ei ei , espera ai
 Hoje sou eu descanse no meu lugar deixa-me fazer o jantar
Tenha calma minha culinária não tem muita fama mas tenha calma vou rechear gambas
Agora venha comigo para cama já que é Março
Vou aliviar teu cansaço e me desfazer de macho
Não precisas te preocupar querida já preparei a comida e é a tua favorita
Comprei também algumas margaridas e arrefeci a bebida

Confesso que devia haver mais marços para as mulheres disfrutarem do carinho dos seus machos.

“Decifrar “



Xé muadiê, queres me confartar
Se te perguntas o que esse candengue esta a parlar
Não admitir interagir com diferentes extractos da nossa gente
Confundir o indigente com delinquente
Na minha bandula ninguém se borra, se maias viras burracho
Me perguntas o que acho
Se eles criam pretuguês é porque não têm vez
Eles falam burguês não os entendes
Candengue é criança muitas vezes sem esperança
Mas banzela no futuro
Batalha e tenta achar um furo
Manteigar é esperar uma chance de vencer os caenhe que lhes privam de tudo
Quibeu é um pão que quase sempre lhes falta á mesa
Pronunciar com água na boca sem provar tal pitéu
Somos tropas sem farda numa guerra entre o gueto e a elite
De igualdades ofuscadas pelas diferenças sociais
Num limite entre a poeira e o betão
Sambila ou panguila
Sem rua nem travessa minha bonda é no zengá
Quem nos curte é brada se não dá sangue é magala
Suar o mbila é sacrificar a cada dia a força que nos resta para uns trocos agarrar
 Fezada é o que se dá para escapar a molestação dos meliantes
Um pica para asfixiar as malambas da vida

Mas se te pinam vás pro cuzo.

“KALUNGA”


Kalunga meu amor de criança
Que me levou de barco a outra margem do oceano
A sua margem de outra imagem
Kalunga de todas a línguas, ilhas e maravilhas
Era o terrível destino do desterrado negro
Num contrato forçado do trabalho mal pago imposto a kalunga
Kalunga não tem culpa foi usado
Kalunga engole e degole água doce que bebe do Kwanza na sua foz salgada
Atraia e trai quem desafia e mergulha sem respeito
Prende no seu leito
Kalunga mata fome e alimenta meus irmãos
Kalunga generoso e impiedoso
Troca miséria por riqueza
Kalunga prefere pobreza nobre de algas, corais e ostras
Troca isca por peixe
Kalunga a prisão de almas náufragas nas suas profundezas
Kalunga se deita com o sol e namora a lua
Kalunga empresta seu tapete voluptuoso aos que caminham e se banham ao sol que brônzea
Kalunga é espelho do céu refletindo cintilantes estrelas
Kalunga tem contos, mistérios tenebrosos e o canto da sereia
Um cofre de tesouros em barcas fundeadas num esquecimento do seu azul profundo
Kalunga me banha e se assanha na presença de morsas e delfins
Kalunga minha paixão embrulhada num bilhete embutido na garrafa para minha sorte
Me chama distante com o rugir das ondas espumantes
Kalunga o mar do pescador

O meu amor, a minha paixão imortal.

“Sou eu irmão”




Encontrei-o caído no chão
Encontrei-o em lagrimas de olhos cerrados
Encontrei-o envolto de uma multidão, só não houve quem lhe estendesse a mão
Encontrei-o perdido entre a morte e a sorte
Encontrei-o estendido entre os confundidos ébrios, houve quem apenas passasse sem chegar perto
Encontrei-o caído no chão
Encontrei-o sem socorro, sem grito, sem apelo, houve quem fosse apenas vê-lo
Encontrei-o despido da vaidade,
Encontrei-o desprovido da força que precisava para respirar
Encontrei-o acolhido pelo nada
Encontrei-o afastado dos seus entes mesmo antes de partir
Encontrei-o sozinho
Encontrei-o no meu caminho
Encontrei-o sem amor, sem o carinho desinteressado que deu a vida inteira sem nada cobrar de volta
Encontrei-o no seu caminho de volta para o pó de que foi gerado
Encontrei-o abandonado pela coragem de admitir que era a minha ajuda que ele pedia
Encontrei-o calado clamando perdão pelos males que ocultava na sua viagem terreste

Encontrei-o no seu chão, quele que um dia chamei de irmão.