Devo confessar que as vezes me sinto refém de mim mesmo,
sinto-me preso a minha personalidade, me desanimo,
sinto a força a abandonar-me a alegria deixar lugar para a tristeza
e vou até ao fundo de mim tentar encontra uma razão para não
desistir e mesmo sem saber porque, me ergo e volto a luta,
a esperar que se desmistifique e se clarifique a ideia de estar vivo
por uma boa razão que qualquer saber desconhece.
Persiste a dúvida e a incerteza se é por nós ou por alguém que vivemos,
quem não tem nada a perder a vida pouco interessa e a morte o não ameaça.
...bom é nesse instante que eu desperto como de um sono profundo,
para o meu mundo onde apenas vivemos sem saber como nem porque,
se calhar na esperança de perceber porque vivemos ou morremos.
A sensação de uma inteligência medíocre limitada
pelos olhos de ver, a razão lógica de perceber apenas
o real e factual, se minha mão não toca não existe,
só existe o que me toca mesmo que for só um sentimento
sem imagem nítida, se não pedimos para nascer nem
escolhemos quando morrer então é emprestada essa
vida que a uns tudo oferece e a outros só aborrece.
Quem não merece, que não nascesse…
o objectivo da criação não é procriação e diversão e felicidade
na tua ou na minha cidade sem limites de idade,
vida emprestada cada um assina um contrato
as cegas e quando cá chega o já não enxerga e surge a velha questão:
de onde viemos e para onde vamos?