Uma vida
surge
Uma vida
imerge
Quem se
importa, é só mais um
Ou tão-somente,
menos um
Será a
nossa mente ou o coração que já não sente
Só dói se
mexe com a gente da gente
Triste não
é interromper o percurso
Triste é
não deixar seguir o normal curso
Nem ao
irmão nem ao vizinho, o meu abraço
A ninguém
estendo a mão, confio no meu braço
Nessas
voltas que a vida dá, quem sabe a sorte nos falte
E na
angustia tempestuosas o azar nos assalte
Provar do
nosso próprio veneno
Revelar
teu pecado e saber que é a mim que condeno
Lembrar
tudo que ao mundo negamos
Lembrar o
que poupamos
Hoje
insanos de nada nos serve a riqueza
Estamos
todos sujeitos a bailar com a doença e a pobreza
O tempo
mestre, oportuno e matreiro
O futuro
urgente e sorrateiro
Quem sabe
o olhar de quem vive distante da fome
Chegue
mais perto da realidade que aos pouco nos consome
E olhando
nos olhos me chame de irmão
Reconhecendo
sua necessidade, seja o primeiro a estender a mão.
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