sexta-feira, 9 de maio de 2014

“KALUNGA”


Kalunga meu amor de criança
Que me levou de barco a outra margem do oceano
A sua margem de outra imagem
Kalunga de todas a línguas, ilhas e maravilhas
Era o terrível destino do desterrado negro
Num contrato forçado do trabalho mal pago imposto a kalunga
Kalunga não tem culpa foi usado
Kalunga engole e degole água doce que bebe do Kwanza na sua foz salgada
Atraia e trai quem desafia e mergulha sem respeito
Prende no seu leito
Kalunga mata fome e alimenta meus irmãos
Kalunga generoso e impiedoso
Troca miséria por riqueza
Kalunga prefere pobreza nobre de algas, corais e ostras
Troca isca por peixe
Kalunga a prisão de almas náufragas nas suas profundezas
Kalunga se deita com o sol e namora a lua
Kalunga empresta seu tapete voluptuoso aos que caminham e se banham ao sol que brônzea
Kalunga é espelho do céu refletindo cintilantes estrelas
Kalunga tem contos, mistérios tenebrosos e o canto da sereia
Um cofre de tesouros em barcas fundeadas num esquecimento do seu azul profundo
Kalunga me banha e se assanha na presença de morsas e delfins
Kalunga minha paixão embrulhada num bilhete embutido na garrafa para minha sorte
Me chama distante com o rugir das ondas espumantes
Kalunga o mar do pescador

O meu amor, a minha paixão imortal.

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