Kalunga meu amor de criança
Que me levou de barco a outra margem do
oceano
A sua margem de outra imagem
Kalunga de todas a línguas, ilhas e
maravilhas
Era o terrível destino do desterrado negro
Num contrato forçado do trabalho mal pago
imposto a kalunga
Kalunga não tem culpa foi usado
Kalunga engole e degole água doce que bebe
do Kwanza na sua foz salgada
Atraia e trai quem desafia e mergulha sem
respeito
Prende no seu leito
Kalunga mata fome e alimenta meus irmãos
Kalunga generoso e impiedoso
Troca miséria por riqueza
Kalunga prefere pobreza nobre de algas,
corais e ostras
Troca isca por peixe
Kalunga a prisão de almas náufragas nas
suas profundezas
Kalunga se deita com o sol e namora a lua
Kalunga empresta seu tapete voluptuoso aos
que caminham e se banham ao sol que brônzea
Kalunga é espelho do céu refletindo cintilantes
estrelas
Kalunga tem contos, mistérios tenebrosos e
o canto da sereia
Um cofre de tesouros em barcas fundeadas
num esquecimento do seu azul profundo
Kalunga me banha e se assanha na presença
de morsas e delfins
Kalunga minha paixão embrulhada num
bilhete embutido na garrafa para minha sorte
Me chama distante com o rugir das ondas
espumantes
Kalunga o mar do pescador
O meu amor, a minha paixão imortal.
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