quinta-feira, 5 de junho de 2014

“INDIFERENÇA”



Uma vida surge
Uma vida imerge
Quem se importa, é só mais um
Ou tão-somente, menos um
Será a nossa mente ou o coração que já não sente
Só dói se mexe com a gente da gente
Triste não é interromper o percurso
Triste é não deixar seguir o normal curso
Nem ao irmão nem ao vizinho, o meu abraço
A ninguém estendo a mão, confio no meu braço
Nessas voltas que a vida dá, quem sabe a sorte nos falte
E na angustia tempestuosas o azar nos assalte
Provar do nosso próprio veneno
Revelar teu pecado e saber que é a mim que condeno
Lembrar tudo que ao mundo negamos
Lembrar o que poupamos
Hoje insanos de nada nos serve a riqueza
Estamos todos sujeitos a bailar com a doença e a pobreza
O tempo mestre, oportuno e matreiro
O futuro urgente e sorrateiro
Quem sabe o olhar de quem vive distante da fome
Chegue mais perto da realidade que aos pouco nos consome
E olhando nos olhos me chame de irmão

Reconhecendo sua necessidade, seja o primeiro a estender a mão.